Nos últimos meses, o Hemocentro de Alagoas (Hemoal) vem intensificando as ações para captação de doadores de medula óssea. Graças a isso, o número de alagoanos cadastrados no Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea (Redome) teve um aumento superior a 10% em 2007. No total, 3.126 alagoanos (aproximadamente 5% da população do Estado) já fazem parte do Redome, e a expectativa para este ano é a de que o número de cadastrados aumente ainda mais. Segundo a Diretora da Hemorrede do Estado de Alagoas, Izaura Alves, o ideal seria ter pelo menos 50% da população do Estado cadastrada.

Izaura explica que a falta de informações por parte da população é a principal barreira encontrada quando o assunto é doação de medula óssea. Tendo em vista essa dificuldade, o Hemoal tem ido às ruas e realizado trabalhos de conscientização que são de extrema importância para a captação dos doadores. Durante as ações externas, enquanto uma equipe de dez pessoas realiza a coleta de sangue, outra equipe, composta por quatro profissionais, faz o cadastramento dos candidatos à doação. A estratégia tem dado certo e tem sido repetida ao menos duas vezes por semana em Maceió e, pelo menos quatro vezes por mês, em cidades do interior do Estado.

Para ser doador de medula óssea basta ter entre 18 e 55 anos. O processo é iniciado com o cadastro dos doadores, que devem apresentar documento de identidade, fornecer endereço e telefone e assinar um termo de consentimento. Em seguida, é coletada uma amostra de sangue (aproximadamente 10 ml) para que seja feito o exame de tipagem de HLA, que vai fornecer características importantes para a seleção do doador. Depois desses procedimentos, os dados são inseridos no Redome, e, sempre que surgir um paciente necessitando de medula óssea, o cadastro será consultado. Se a compatibilidade for constatada, o doador é consultado e decide sobre a doação. O Redome é consultado sempre que os doadores aparentados (pais e irmãos) do paciente que necessita de medula óssea não apresentarem compatibilidade.

No caso de Alagoas, o material colhido para exame de tipagem de HLA é encaminhado ao Hospital Português, em Recife. Izaura conta que, nos casos de compatibilidade, todas as despesas – como deslocamento do doador até o local em que será realizado o transplante – são pagas pelo Serviço Único de Saúde (SUS). Segundo ela, no Brasil, a probabilidade de encontrar um doador não-aparentado compatível é de 1 para 1 milhão, daí a necessidade de fazer com que cada vez mais pessoas passem a fazer parte do Redome.

“O que falta é informação. Na maioria das vezes as pessoas não sabem que o Hemoal, além de captar doadores de sangue, também capta doadores de medula óssea”, diz Izaura. “É muito importante ser doador, porque tudo aquilo que a gente puder fazer para dar vida às outras pessoas deve ser feito. Se há dúvidas, elas podem ser tiradas pelo Hemoal, estamos aqui para esclarecer todas elas”, destaca.

O processo de doação é tão simples quanto o processo de cadastro. Izaura explica que o doador é anestesiado e tem parte do sangue que fica dentro dos ossos da bacia retirado com uma seringa, por meio de um procedimento de aspiração. Em seguida, é feito um curativo no local e, em 12 horas, o doador já é liberado. “É um procedimento rápido e sem dor”, afirma.

Para o receptor da medula, o procedimento é um pouco mais delicado e todo o processo dura, em média, 60 dias. Antes de receber a doação é necessário que toda a medula do paciente seja retirada e, por isso, ele é mantido isolado, já que fica sem imunidade. Depois de receber a nova medula, o receptor continua isolado por um período até que a produção de novas células possa acontecer. “Existe todo um cuidado a fim de evitar a infecção, mas, depois dessa fase, se não houver rejeição, a pessoa passa a levar uma vida normal.

Mais informações sobre o processo de doação de medula ósse podem ser obtidas pelos telefones 3315-2109 ou 3315-2106.