O governo federal investiu R$ 234 mil para implantar cinco novas bibliotecas nos municípios de Junqueiro, Olivença, Santana do Mundaú, São Sebastião e Teotônio Vilela e na modernização das bibliotecas de Viçosa e Igreja Nova. Graças a esse aporte de recursos, realizado pelo Programa Livro Aberto, do Ministério da Cultura, a Rede Estadual de Bibliotecas Públicas atingiu 100% de cobertura municipal. O projeto prevê a aplicação de recursos federais para ampliação do acervo público de livros, com contrapartida das prefeituras – responsáveis pela contratação de funcionário e das instalações físicas – e do Governo do Estado, encarregado de capacitar os gestores municipais e de dar uma dinâmica nos núcleos de leitura.
Agora, a Secretaria de Estado da Cultura quer dar um passo além. Para tanto está realizando um mapeamento de todas as bibliotecas públicas de Alagoas, identificando a situação real de cada uma delas. “Já visitamos seis municípios do Litoral Norte do Estado. Lá conversamos com os gestores, visitamos as instalações, fotografamos tudo e relacionamos todos os pontos positivos e negativos”, diz Wilma Maria Nóbrega Lima, coordenadora do Sistema Estadual de Bibliotecas Públicas e gerente de Projetos Culturais da Secretaria de Estado da Cultura (Secult).
Segundo ela, o levantamento visa descobrir quais os municípios que tem promovido um maior envolvimento entre as comunidades com seus acervos públicos. “Porque não basta dar os livros e montar a biblioteca. Esse espaço precisa manter uma dinâmica própria para atrair um número cada vez maior de leitores”, reflete. Na visão de Wilma, os gestores municipais têm de criar incentivos como programas de leituras e encontros com escritores locais para cativar crianças, jovens e adultos para o hábito da leitura.
Mapeamento-Além das atividades culturais, Wilma defende a profissionalização das equipes de atendimento ao público e da gestão das bibliotecas. “O ideal era que em cada município houvesse um bibliotecário”, afirma. Ela também é favorável à informatização do acervo e de se dar uma atenção especial aos leitores que são portadores de deficiência física, oferecendo acesso fácil aos cadeirantes ou livros em braile, por exemplo. “Esse mapeamento que estamos fazendo será concluído em junho. A partir dele pretendemos desenvolver novas políticas públicas voltadas para as bibliotecas”, diz.
De acordo com Wilma Nóbrega, é necessário se descobrir como anda a gestão de cada acervo disponível nos municípios e orientar aqueles que não desenvolvem ações culturais ou que por alguma razão estão mantendo o acervo inacessível à população. “Mas, há bibliotecas municipais que são verdadeiros cases de sucesso. Em Arapiraca, por exemplo, a biblioteca pública ampliou seu acervo inicial de 2 mil livros para 20 mil em dez anos”, conta. Segundo ela, em Coruripe, a gestão municipal estendeu seu acervo também para Pindorama e agora está pretendendo levá-lo para o povoado de Poxim. “Em São Miguel dos Milagres, além de levar o acervo a mais quatro povoados, o município mantém a sede em funcionamento nos três turnos, com ar condicionado e boa infra-estrutura predial”, diz.
Expansão – De 2004 para cá, o programa Livro Aberto implantou 25 novas bibliotecas no Estado. Em cada uma delas , o governo federal direcionou R$ 42 mil aplicados na compra de 2,3 mil títulos, além de mobiliário e equipamentos como computadores, TVs e DVDs. Nos municípios onde houve a modernização, foram investidos R$ 12 mil apenas na aquisição de livros. O acervo é formado por títulos de todas as áreas do conhecimento de ciências às artes. “Contudo, 40% do acervo é formado por livros de ficção. Justamente para incentivar o hábito da leitura”, conta.
O acervo das bibliotecas municipais tem sido constantemente ampliado pela própria Secretaria da Cultura. De acordo com Wilma Nóbrega, o Estado mantém convênio com o Ministério da Cultura, a Biblioteca Nacional, a Editora da Universidade Federal de Alagoas (Edufal), entre outras instituições alagoanas e brasileiras, no qual recebe doações sistemáticas de livros. “Então formamos kits e distribuímos em todos os municípios. Quando recebemos um número insuficiente de exemplares para oferecer a cada um, priorizamos aqueles que mantém grande fluxo de leitores”, conta.
Segundo ela, A Secult também tem oferecido capacitações freqüentes para os gestores municipais. Nesses encontros os participantes aprendem mais sobre conservação e preservação dos acervos, sobre administração das bibliotecas e sobre atividades culturais e educativas. Essas atividades são realizadas no auditório da Academia Alagoana de Letras, instituição com a qual a Secult mantém parceria.
Wilma, que dedicou doze anos de sua carreira à gestão da Biblioteca Pública do Estado, pretende transformá-la num modelo de gestão para as bibliotecas municipais, realizando uma série de melhorias a partir deste ano. Bibliotecária por formação, ela vem ampliando os acervos de livros em braile das bibliotecas alagoanas. “A questão da inclusão e da acessibilidade é fundamental. Através do convênio com instituições como a Fundação Dorina Nowill e Edufal temos ampliado com freqüência nosso acervo voltado para os deficientes visuais”, afirma.
Tantos resultados positivos têm transformado Alagoas em uma referência nacional na área de bibliotecas públicas. Prova disso, é que pelo segundo ano consecutivo, a Ministério da Cultura da Espanha selecionou o Estado para participar de um curso internacional que seleciona apenas três participantes de cada um dos países da América do Sul. “No ano passado, o tema do curso foi As Bibliotecas como Centros Multiculturiais, realizado em Santigo no Chile, e apenas Alagoas e Rio de Janeiro foram selecionados pelo governo espanhol”, diz Wilma.
“Este ano, o encontro será realizado em Assumpção, no Paraguai, e vamos marcar presença ao lado de Santa Catarina e Pará”, ressalta, citando que o curso deste ano, que será realizado de 7 a 11 de abril, irá abordar Os Recursos para Gestão e Avaliação de Bibliotecas Públicas.